Como ficam as visitas e cuidados com o bebê internado no hospital?

Como ficam as visitas e cuidados com o bebê internado no hospital?
Postado em: 25 de abril Compartilhar Compartilhar

Renato de Ávila Kfouri

CRM 59492-SP

Pediatra infectologista e neonatologista



Com a pandemia da COVID-19 a restrição de visitas a pacientes internados tornou-se uma regra na grande maioria dos hospitais e berçários. Por motivo de segurança, em geral, hospitais limitam a entrada de parentes nas unidades pediátricas e neonatais. Entretanto, para amenizar as angústias e reduzir as distâncias entre familiares e bebês internados, muitas maternidades têm desenvolvido protocolos com o intuito de manter o vínculo com a criança, essencial para sua recuperação, além de fortalecer a relação de confiança com a equipe de profissionais que prestam assistência ao bebê.

A grande preocupação em tempos de pandemia é em relação à proteção aos recém-nascidos, evitando a sua contaminação, além dos profissionais de saúde que os atendem. A grande mudança de paradigma é: como atender essas crianças da forma mais segura e com o menor risco possível para elas e para os profissionais de saúde?.

A exigência de comprovação de vacinação, a proibição da entrada de sintomáticos e até a testagem de visitantes (testes rápidos), são ferramentas úteis para minimizar esses riscos.

As precauções de infecção hospitalar como higienização frequente das mãos, uso de aventais, máscaras e luvas devem ser obedecidas integralmente de acordo com a rotina de cada serviço.

A chegada de um bebê à família é sempre motivo de muita alegria e festa, porém, no atual cenário, algumas limitações se impõem. Um eventual prolongamento da permanência do bebê numa terapia de cuidados intensivos neonatais torna ainda mais delicado o momento em relação às visitas.

Os primeiros dias de vida são um período de adaptação importante para o papai, a mamãe e o bebê. Pela imaturidade imunológica o bebê não deve ter contato com muitas pessoas.

O puerpério já é um período desafiador por si só. A mãe estará se recuperando do parto e se dedicando aos cuidados com o bebê, sendo muito importante ter a oportunidade para descansar o necessário.

Em virtude do risco de contaminação pelo coronavírus, devemos redobrar os cuidados para preservar a saúde da mamãe e seu bebê.

A nova mamãe também precisa de uma rede de apoio, amparo e aconchego. Visitas rápidas dos entes queridos respeitando-se o distanciamento, usando máscaras e higienizando as mãos podem ser realizadas, preferencialmente em casa, e não na maternidade.

Para amenizar as angústias e reduzir as distâncias entre familiares e bebês internados, vários serviços de saúde desenvolveram projetos de comunicação virtual, através de videochamadas, com o intuito de atenuar a espera pela recuperação dos pequenos.

A ideia é sempre reforçar vínculos familiares e também fortalecer o vínculo com a equipe multidisciplinar que participa do cuidado daquela criança. Desta forma a equipe tem a oportunidade de conhecer quem é aquela família e quem é aquele bebê dentro daquela família.

Importante destacar que no momento da alta hospitalar é necessário orientar os pais quanto à prevenção de infecções respiratórias, incluindo o coronavírus, no ambiente da comunidade. Apenas o pai e a mãe devem cuidar do bebê e evitar situações que possam aumentar o risco de contaminação, como aglomerações e visitas. O bebê, e todos aqueles que convivem com ele devem estar com a vacinação em dia, evitando ser fonte de contaminação para a criança em casa.

 

 




Referências:

Kostenzer J, Hoffmann J, von Rosenstiel-Pulver C, et al. Neonatal care during the COVID-19 pandemic - a global survey of parents' experiences regarding infant and family-centred developmental care. EClinicalMedicine. 2021;39:101056. Published 2021 Aug 6.

Sitrin D, Guenther T, Murray J, Pilgrim N, Rubayet S, Ligowe R, Pun B, Malla H, Moran A. Reaching Mothers and Babies with Early Postnatal Home Visits: The Implementation Realities of Achieving High Coverage in Large-Scale Programs. Plos One 2013; 8(7):1-9.

Soares AR, Guedes AA, Cruz TV et al. Tempo ideal para a realização da visita domiciliar ao recém-nascido: uma revisão integrativa. Ciênc. saúde coletiva 25 (8). Ago 2020


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